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  • Talita Ibrahim

a alma de um facilitador de conflitos

Atualizado: Jun 27

Autor Talita Ibrahim

Publicado em 02/06/2020



Respeitado professor, David Hoffman, leciona Mediação desde 2008 na Harvard Law University. Há quase dez anos escreveu um artigo “Mediação como uma prática espiritual”. Nele, Hoffman, pontua que “espiritualidade” na sua visão significa o desejo humano em se conectar com nossa alma e a partir dela nos conectarmos com a alma do outro. Como já faz um bocado de tempo que esse artigo foi publicado, não sei o quanto ele reafirmaria que “...passamos a acreditar que servir como mediadores é uma de nossas principais formas de prática espiritual.”

Como exemplo de sua afirmação ele usa um caso onde uma família disputava a dissolução de terras e outros bens. E conta que o que foi satisfatório nessa situação, não foi ajudar uma família irritada a resolver problemas complexos. Para ele e seus colegas, foi “O que importava era acessar um lugar centrado, pacífico, compassivo e sem julgamento dentro de nós, onde poderíamos suportar o fogo do conflito e iniciar o processo de cura sem ser consumido.

William Ury, que também da aulas na mesma Universidade, defende em seu livro “Getting to Yes With Yourself” que nossas carências nunca são satisfeitas se atendermos apenas as nossas próprias necessidades e que a generosidade é de verdade aquilo que nos oferece o mais alto contentamento.

“Em contraste, a doação, como escolha autentica e espontânea, pode nos oferecer uma satisfação interior duradoura, exatamente porque preenche a nossa carência mais profunda de ser útil e estar conectado com os outros, pois nos permite fazer a diferença no mundo e, em consequência, nos proporciona o sentimento de bem-estar.”, afirma o Prof. Ury.

Partindo do principio de que qualquer que seja o método utilizado para a solução de um conflito, o que queremos descobrir são as necessidades por de trás daquela situação, a partir da vivência de cada uma das partes. Resgatando o entendimento espiritual de conexão exposto por Hoffman, é paradoxal pensarmos que a profissão de um facilitador, talvez seja por si só a própria descoberta de suas necessidades humanas de se conectar alma com alma.

Entendendo que o ato de doar supera nossa carência de ser útil e estar conectado com o outro, talvez a escolha de um facilitador seguir nesta carreira seja não só preencher sua necessidade de estar conectado com o outro, mas também de ser útil. Adicionando ainda como pano de fundo a possibilidade de fazer seu labor um ato de melhoria para o mundo e proporcionar bem estar.

Fonte:

Mediation as a Spiritual Practice – David Hoffman e Richard Wolman https://www.mediate.com//articles/HoffmanWolman.cfm

Getting To Yes With Yourself – William Ury


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