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  • Talita Ibrahim

como a constelação lida com as incompreensões na infância e juventude

Atualizado: Jun 27

Autor Talita Ibrahim

Publicado em 08/06/2020

Escrevo para pais e mães, que assim como eu encontram desafios diários com seus filhos. E aqui peço licença pela simplicidade da linguagem deste texto que pretende expressar as ideias de constelação a partir das incompreensões da infância e juventude.

Aprofundando meus estudos sobre conflitos, me deparo com as constelações. A partir da minha própria experiência considero a constelação um tipo de análise da nossa própria teia ancestral, que interpreta personagens de sua história baseada em leis naturais, que Bert Hellinger, seu criador, vai chamar de “Ordens do Amor”.

O que me incentiva a escrever é aprender algo novo, de vários e distintos pontos de vista. E o que me instiga a aprender é dotar de um conhecimento capaz de compreender o meu cotidiano não em toda sua essência, pois isso talvez seja impossível, mas me aproximar de um entendimento palpável e transformar desafios diários em potência de vida, em energia que pulsa.

Criar um filho é uma experiência marcante para qualquer pai ou mãe, pode ser para alguns um ponto, outros uma vírgula, tem gente que exclama e tem pessoas que questionam, mas de qualquer maneira que essa jornada pareça a você, é um acontecimento único na vida.

Hellinger expõem algo interessante sobre as crianças, e que ao meu ver é o grande desafio do inconsciente coletivo de nossa sociedade “educadora”, atualmente. Em seu livro “Olhando para a Alma das Crianças” ele fala sobre o outro amor, sobre quando não sabemos como ajudar uma criança ou um jovem, pois talvez sejam agressivos ou rebeldes e algumas vezes até queiram morrer ou fugir.

Ele diz “...às vezes somos tentados a dar-lhes bons conselhos. Isso é uma completa perda de tempo, como os educadores sabem, pois a criança ou o jovem não se sente compreendido.” Ao lê-lo me sinto impelida em alerta-lo “Não, eu não sei!”.

O que Hellinger quer dizer com a incompreensão é que independente do que façam, só o fazem por amor. Cabe à família investigar por quem é esse amor não compreendido, um amor que talvez os façam sentir raiva, justo porque amam. A partir desta exploração e suas consequentes descobertas, a criança vai aos poucos reunindo forças e consegue se sentir compreendida.

Mas e aquelas que não conseguem compreender esse outro amor? O que acontecerá com ele a medida que forem crescendo?

Não encontrei o número de quantas constelações, Bert Hellinger fez, mas imagino que muitas, para um estudioso com mais de 84 livros publicados a respeito desse tema tão caro e ao mesmo tempo tão polêmico.

Ele conta que em um curso ministrado no Japão, uma jovem não queria voltar para casa, pois não era querida por seus pais e aquilo era algo muito doloroso para ela. Ele perguntou – “Você quer matar sua mãe” e ela respondeu – “Não exatamente, só quero que ela morra”. Como estudioso, ele sabe que esse amor não compreendido muitas vezes é tão profundo que leva até a pessoa a ter pensamentos suicidas.

Então ele posicionou ela e sua mãe, sua avó diante de sua mãe e assim por diante até a oitava geração. Nada fluía entre elas, até chegar na última. Está por sua vez estava representando os punhos cerrados e olhava para baixo, na constelação esses gestos são símbolos de que ali houve um assassinato. Então ele posiciona o morto ao lado desta mãe, e a partir dai não há mais a exclusão daquela marcante experiência no sistema familiar.

A exclusão no sistema é muito comum, pode ser consciente ou inconsciente. E causa uma série de conflitos e desequilíbrios familiares, pois existirão dinâmicas sobre tal assunto, como por exemplo a ocultação do fato ou mesmo o não poder falar sobre aquilo.

Para Freud o que fosse reprimido no inconsciente forçaria este a ocupar um espaço no sistema consciente. E assim o consciente investe gasto de energia psíquico para manter a memória reprimida. René Schubert, psicanalista, questiona “Quando mantenho algo segregado, separado, afastado, quanto de energia e tempo gastamos para fazer isto?”

Retomando o exemplo da filha que queria a mãe morta, pois ela por amar sua mãe não sabia porque os pais a rejeitavam. Foi preciso olhar para um sistema de muitas gerações e explorar um acontecimento, para compreender algo que talvez não fosse possível em linhas mais tradicionais de entendimento da psique humana.

A constelação familiar na minha experiência, continua a reverberar pensamentos e ligações permanentes e diárias desde o dia em que me experimentei nela para entender o meu sistema familiar. É um exercício interessante, principalmente para o desenvolvimento da minha maternidade.

Referência Bibliográfica:

Livro - “Olhando para a Alma das Crianças”, Bert Hellinger

Site www.hellinger.com

Jornal Jornalzen – “Exclusão, o que não aprisiona...” René Schubert

Foto @insungyoon


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