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limite! - empatia, autoritarismo e compreensão

Atualizado: Jun 27

Autora: Talita Ibrahim

Data: 25/06/2020


Quantas vezes você não ouviu essa frase "Você precisa dar limites a essas crianças!" ou "Você precisa ser menos autoritário!"? A ideia deste texto saiu de uma conversa com uma grande amiga. Carol tem uma história completamente diferente da minha, mas tanto ela quanto eu, somos mães. Ela me mandou um texto sobre educação empática (positiva), e colocou uma dúvida no ar. Afinal, educação empática é o mesmo que educação permissiva? Aquele velho conhecido "limite", em que se assemelha nas diferentes formas de se educar um indivíduo?


Para responder essas perguntas, precisamos entender o que é educação positiva, comparada com educação permissiva e suas semelhanças com a educação punitiva. Pois é, nem eu sabia que haviam tantos tipos de educação assim, mas vamos devagar para entender todos esses pontos.


EDUCAÇÃO POSITIVA


A educação positiva parte de três princípios:

  1. A neurociência considera as crianças essencialmente empáticas e colaborativas;

  2. O educador estimula essa característica empática usando de firmeza e gentileza;

  3. Dentro dessa linha educacional não há uso de punição ou castigo, seja físico ou verbal.

Muitos pais e mães foram ensinados através do sentimento de culpa, quando faziam algo de errado não havia oportunidade de aprendizado, apenas punição. O adulto de hoje quando erra, tem a liberdade de aprender com seus erros. Mas se as crianças são colaborativas por natureza, porque não possuem essa mesma premissa de aprender com o erro? Porque o erro de uma criança é muitas vezes visto como mau comportamento?

A educação positiva não recompensa mau comportamento e nem defende um relacionamento sem descontrole emocional, mas é sim um trabalho focado em autoestima e resolução de problemas. Permitindo a criança amadurecer como protagonista de suas soluções e capaz de desenvolver o seu senso de aceitação e importância, vital para nossos dias de hoje. Concorda?

Nossas emoções, consideradas no senso comum, como ruins, são na verdade naturais. São elas: tristeza, raiva, frustração e medo. É fundamental termos consciência disso, para saber separar pirraça de sobrecarga emocional (gerando grande confusão mental) e até mesmo manha de mau comportamento (como ação para satisfazer uma necessidade). Trata-se pirraça e manha como manipulação, quando algumas vezes podem ser pedidos equivocados de ajuda.

A ideia por trás do não castigo ou punição, fica clara quando a criança não pode demonstrar suas emoções e necessidades. Quando reprimidos, a criança não aprende a lidar com frustração, medo, raiva e tristeza. Na medida em que deixamos as emoções saltar, ensinamos a maneira de demonstrar e fixamos os aprendizados deixados por elas.

INTRODUZINDO PERMISSÃO E AUTORITARISMO

Neste gráfico, o autoritarismo é caracterizado pela ordem sem liberdade e assim a falta de escolha. Na permissividade tem liberdade sem ordem, criando pequenos "reizinhos" dentro de casa. A negligência parental é uma das piores no meu ponto de vista, pois deixa a criança sem rumo, cuidado, apego e ordem. Por fim na positiva, temos ordem e gentileza, assim suas escolhas serão a partir do respeito de si e do outro.


Agora que você já conhece a educação positiva, será que você está pronto? Será que isso basta? Meus pais tiveram uma educação punitiva. Desde que tive minha filha, percebi que meus pais fazem uma reflexão profunda lembrando de sua infância com meus avós. Na minha opinião a grande questão da prática de uma educação mais gentil e firme, é criar segurança para fazer diferente daquilo que nos foi ensinado. Se você foi punido, é possível que você queira fazer o mesmo ou exatamente o oposto.


Será que a punição e a permissão se assemelham, pois ambas são dotadas de inconsciência dos limites individuais? Na punição eu ajo de maneira comum, dizendo coisas como "quem manda aqui sou eu", "para de chorar". De certa maneira não entro em contato com as minhas próprias reflexões e acabo vomitando coisas que na verdade nem sei porque digo e que fazem parte de um senso comum. Tais reflexões permitiriam identificar o que é bom ou não para mim, ou seja, estabelecer meus próprios limites.


A inconsciência dos limites individuais não está presente só na educação punitiva, mas também na permissiva. Onde o indivíduo desconhece o que é bom ou não para ele e por isso é tão difícil dar limites. Por fim, é essencial sabermos que o que é importante para uma família pode não ser para outra. Às vezes para uma família a criança pode pisar molhado no chão da sala que está tudo bem, para outra aquilo é um limite.

LIMITE

Limite se confunde muito com autoritarismo. O século XX começa depois do trauma da Segunda Guerra Mundial, e isso assustou a toda humanidade e impulsionou a ideia de um "ser livre". Os principais estudos psicanalíticos vieram através de pesquisas com crianças que tiveram experiências traumáticas desta época. Isso blindou e distanciou gerações do entendimento do processo evolutivo neuronal de um indivíduo.

Hoje a neurologia sabe que o córtex pré frontal é responsável pelo nosso juízo crítico, ou seja, nosso bom senso. Essa região do cérebro é estimulada através da frustração. "O limite é a frustração que ofereço para criar auto estima.", essa frase esconde o sujeito da ação, mas quer dizer que o limite é o desejo de quem cuida.


"Nós erramos achando que frustração era um mau, hoje sabemos que é um bem.", diz o psicoterapeuta Ivan Capelatto e complementa que quando o sujeito se frustra ele não diminui, mas sim engrandece sua potência. O sujeito suporta que o time perca, ele para de fazer mal ao amigo, ele espera o almoço chegar.


Racionalmente sempre soube que limites eram importantes, mas demorei a aprender que dar limite a uma criança é sobre os meus próprios limites na interação com a minha filha. O meu limite é o meu desejo de bem estar! No entanto, o meu limite só vem com auto estima e esse é o grande pulo. Por isso é importante se flexibilizar sem perder de vista seus valores. A vida muitas vezes pede flexibilidade, mudanças de opinião, rotas diferentes, e está tudo bem, desde que você considere seu cuidado neste processo.

Talita Ibrahim é capacitada em negociação internacional e resolução de conflitos pela Universidade de São Paulo, mediação de conflitos, justiça restaurativa e formada em Relações Internacionais. Há dez anos é Gestora da Organização Abraham Path no Brasil, que promove o desenvolvimento econômico na região do Oriente Médio. No passado atuou em outras organizações políticas, sociais e também bilaterais. Em 2019 foi convidada para participar como facilitadora no processo de indenização do rompimento da barragem de Brumadinho. Após uma cuidadosa pesquisa, decidiu por não seguir no processo. Está experiência resultou no início de sua empreitada na escrita. Na ocasião escreveu dois artigos e continua a escrever sobre conflitos humanitários e familiares, acesse para saber mais www.talitaibrahim.com

Referência Bibliográfica

DISCIPLINA POSITIVA E PERMISSIVIDADE

https://marianalacerda.com.br/disciplina-positiva-e-permissividade/


Disciplina Positiva – Entre o Autoritarismo e a Permissividade

https://www.eusemfronteiras.com.br/disciplina-positiva-entre-o-autoritarismo-e-a-permissividade/


Infância - Ivan Capelatto

https://www.youtube.com/watch?v=_UoLrCw0_1U&t=860s


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