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  • Talita Ibrahim

o que fazemos não é só mediar?

Atualizado: Jun 27

Autora: Talita Ibrahim

Data da publicação: 26/06/2021


Antes de iniciar a leitura tenho 2 pedidos: primeiro não se prenda a nenhum tipo de formatação ou estruturação de texto (eu ainda estou descobrindo meu caminho na escrita), segundo se prenda a ideia central do texto e se tiver qualquer comentário não deixe de fazer!


Pensa que você está correndo uma maratona, e que você vem se preparando para ela já a muito tempo. E por isso, você se sente capaz e pronta para correr até a linha de chegada e sair vitoriosa. Entretanto, por mais que você consiga prever tropeçar em uma pedra, escorregar e cair, cansar e desistir (até pode passar pela sua cabeça em algum momento do seu plano infalível), você acaba se esquecendo de prever aquilo que você não tem controle nenhum - o outro (afinal seu cérebro não gastará energia prevendo algo que você não tem controle). O competidor que corre ao seu lado e que tropeça e cai em cima de você ou o fã que entra na corrida e atrapalha a contagem. Esses exemplos hipotéticos de uma cena hipotética, servem para representar um sentimento chamado frustração. Ela é a interrupção de uma motivação, algo que fez seus planos não funcionarem exatamente da forma que achava. Recentemente fui convidada a falar sobre como cuidamos do mediador quando não há a continuidade da mediação. Confesso que era bem cética, conhecendo os princípios da mediação eu "sei" de maneira racional que um mediador não pode sentir-se frustrado pela não continuidade, pois a mediação parte do princípio da voluntariedade. Para tudo! Voluntariedade? Então, já que citei o exemplo da maratona e do fã que atrapalha a contagem, o ato de avançar a pista de corrida é uma ação voluntária do outro e não minha. Pesquisando sobre o conceito de ação voluntária achei uma coisinha bem interessante no pensamento de Aristóteles. Ele dizia… "toda a ação voluntária pode ser vinculada a uma escolha ou não, e que nós só conseguimos cumprir com uma escolha quando pensamos em torno de uma ética"... "esse ato deliberativo e ético que a escolha promove, só é possível ao passo que as escolhas feitas estejam a seu alcance" … "um sujeito adquire seu papel ético quando pratica, quando tem a oportunidade de experimentá-la". Aqui eu paro e penso: o que estou fazendo não é mediar? Não se trata disso? No fundo é criar espaço para que possamos nos refletir enquanto seres éticos? E volto ao meu exemplo do corredor, talvez o fã em uma próxima maratona, já tendo experimentado invadir a pista pensará melhor acerca de suas vontades acrescidas de escolha e eu corredora em uma segunda experiência saberei que não se trata de chegar na linha de chegada e sim contemplar o desabrochar da ética do outro e da minha.



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